segunda-feira, 22 de junho de 2009

e no meio dos morangos tinha uma melancia...

As pessoas me dizem que eu deveria escrever mais, que eu deveria escrever sobre as minhas idéias absurdas, que eu falo coisas do além, que eu sou louca, divertida, piadista e tudo que na verdade qualquer um teria a capacidade (seria um elogio?) de ser, mas não é, por simples convenção... Mas às vezes eu me pergunto: Será que realmente vale a pena ser a gente mesmo? Será que vale a pena ser sincero, espontâneo, reagir normalmente às situações sem forçar nada, sem pensar que se está pisando em ovos, sem cuidar em não ultrapassar a barreira do que é socialmente aceito como uma pessoa que sabe se portar diante das outras (não to falando em sair correndo pelada tocando corneta). Simplesmente me pergunto isso porque muitas vezes me sinto um alien no meio dos outros. Muitas vezes eu tenho opiniões sobre as coisas que luto para guardar pra mim, pois sei que realmente não é todo mundo que vai entender ou concordar (porque muitas vezes a carapuça serve). Digo isso porque na maioria das vezes as minhas conclusões sobre as coisas que eu vejo e que eu vivo são cruas, diretas e livres de qualquer imagem que um dia eu mesma já tentei passar. Não sei se consigo explicar, mas me sinto completamente sozinha na maioria das vezes. Com 27 anos, não sou nada da pessoa que fui quando tinha 21, cheia de insegurança e lutando para tentar pertencer a algo, muitas vezes fingindo gostar de coisas que nunca tiveram nada a ver comigo, simplesmente porque "fulano de tal" gostava. E digo, nunca fui tão feliz como pessoa me livrando destas "amarras sociais". Porém, talvez agora eu esteja enfrentando um novo tipo de aprisionamento, talvez agora, finalmente assumindo totalmente a minha personalidade eu esteja vendo como é difícil ser eu mesma. Como as pessoas ainda estão presas a padrões, convenções (por falta de palavra melhor), a idolatrias e especialmente a mentirem para si mesmas. As minhas opiniões simplesmente refletem sem máscara alguma, tudo que penso ou sinto (na verdade pessoas aliens como eu já me disseram pra escrever um manual, bem como o Guia do Mochileiro das Galáxias, sobre isso), então vocês imaginem como me sinto nesse mundo de pessoas que têm a necessidade patológica de agradar, de enganar a si mesmas, de usar os outros em benefício próprio e de consumir sem a menor análise das consequências, tudo que é produzido pela Indústria Cultural, uma nova, muito mais perigosa e individualista Indústria Cultural (confesso que é impossível não consumir, mas pelo menos uma triagem não machuca ninguém). É a boa, velha, (e agora mega-power-blaster-2000) criação da imagem socialmente aceitável e pertencente a um nicho que substitui o coletivo, o pensar no contexto geral das coisas, das pessoas como um todo. Realmente eu sou um alien, e nunca fui tão feliz sendo diferente dos outros... O mais interessante é que sou apenas eu mesma, sem personagens, sem máscaras. Acho que por isso que sempre sofro as piores consequências por ser assim. Seja como for, sei que não sou a única melancia em meio aos morangos... Sejam bem vindos os extraterrestres assim como eu, que também reagem sem querer à borboleta que bateu as asas no japão...

3 comentários:

Luxcious disse...

Olha, sem querer parecer metido, mas o que você escreveu é exatamente como eu me sinto há muuuitoo tempo, te digo que a vida infelizmente é assim, nós precisamos segurar a maioria de nossas opiniões para nós mesmos, pois passei um bom tempo dizendo tudo que eu pensava e não deu muito certo, infelizmente somos uma minoria no meio de uma sociedade que não gosta de parar pra pensar por que as coisas são como sçao, e o pior de tudo é que é muito difícil achar pessoas que pensem assim, às vezes nem nossos melhores amigos pensam como nós, gostaria de poder largar tudo e viver como eu acho que é certo, mas infelizmente precisamos trabalhar para viver. Mas sempre te achei uma garota incrivel, apesar de nunca termos conversado muito. Foi uma grande coincidência te encontrar no mundo virtual depois de tantos anos. E bola pra frente por que a vida é incrivel, o mundo é muito grande e tudo pode acontecer.

Márlon Henrique disse...

Interessante seu 'desabafo', vou chamar assim. Farei poucos comentários na qualidade de um partidário, ou talvez, ex-partidário. Bom, a analogia entre morangos e melancias, você há de convir, não é tão boa, uma vez que não descreve muito bem o contraste; mas eu diria que é uma pretensão das melancias achar que ser morangos não faz sentido. Na realidade nada faz sentido, no fundo, e assim quase tudo é permitido. Mas nada disso é novo. O novo é essa consciência constituir praticamente um novo nicho cultural - poderíamos chamar 'o nicho cultural nú'(adorei a idéia do Manual do Mochileiro Intergalático).
Também podemos dizer que há níveis desse sentimento que você descreve e, parece implícito no seu desabafo, que seu caso é extremo, eu também me refiro a esse tipo de caso - sentir-se 'deslocado' é uma fenômeno comum.
Em suma, eu acho que ambos 'alienados' e 'aliens' são muito semelhantes, pois o alien sobre devido a seu juízo de valor que a tudo condena, e o alienado vive bem porque seu juízo de valor consente sem hesitar para certos fatos. No fundo, parece-me que a origem desses fenômenos é psicológica, mas eu acho que ajuda a viver melhor derrubar todo moralismo para poder acostumar-se novamente com ele.
Muito provocativa sua postagem!
Parabéns Larissa!

Larissa disse...

Foi realmente um desabafo desmedido, praticamente "golfado" do fundo do meu estômago. E faz dois anos isso. Continuo com o meso feeling. Valeu guris, pelos comentários.